Na farinheira, a roça é contratada com a mandioca ainda no chão. O contrato de arranca fecha o acordo com o produtor — e a raiz só chega na balança semanas ou meses depois, quando a arranca começa.
Nesse intervalo, o que foi combinado fica num papel assinado na mesa do escritório, numa foto no celular de alguém ou só na palavra. Funciona até a primeira divergência: o preço da carga não bate com o combinado, o prazo da arranca passou, o desconto de impureza foi maior do que o produtor esperava.
Aí começa a pergunta que ninguém quer ouvir: onde está o contrato?
O que um contrato de arranca costuma deixar claro
Cada empresa tem o seu texto, e o que vale é o que o seu jurídico aprovou. Mas os pontos que mais geram discussão na hora da carga se repetem:
- A lavoura: área, localização da roça, variedade e idade da mandioca.
- A quantidade: estimada, porque raiz não se conta antes de arrancar.
- O preço: por tonelada ou atrelado à renda, que é o que a indústria de fato compra.
- A arranca: a janela de datas, quem arranca, quem carrega e quem paga o frete.
- A balança: quais descontos se aplicam no recebimento — umidade, impureza, avariado, quirera — e como são calculados.
- O pagamento: forma, prazo e a retenção do FUNRURAL.
Quase tudo isso volta a aparecer quando a carga chega. É por isso que o contrato precisa estar no sistema, perto do recebimento — não numa gaveta.
O contrato da roça numa transação feita para ele
No InfoKaw, o contrato de arranca é um lançamento numa transação customizada para isso — por exemplo, “Contrato de roça”:
- o produtor é o cadastro que você já usa para a compra;
- o item é a raiz de mandioca;
- a quantidade é a estimada para a roça;
- o preço e as condições são os combinados.
A vantagem de ser um lançamento é ficar onde as outras coisas do produtor já estão: no mesmo cadastro e na mesma filial das cargas que vão chegar.
O formulário da transação é o próprio contrato
Cada transação tem seus formulários de impressão. Na transação do contrato da roça, o formulário é o contrato: as cláusulas fixas ficam no modelo, e os dados que mudam de um contrato para outro saem preenchidos do lançamento e do cadastro.
O InfoKaw já traz um modelo pronto para isso, o Pedido de compra de mandioca em raiz, que é configurado como formulário da transação. Veja de onde sai cada parte:
| No contrato | Vem de |
|---|---|
| Número do pedido | número de controle do lançamento |
| (A) Comprador | dados da filial: razão social, endereço, cidade e CNPJ |
| (B) Vendedor | cadastro do produtor: nome, CPF ou CNPJ, endereço, município e UF |
| Nome da propriedade rural | nome fantasia do cadastro do produtor |
| Quantidade aproximada | quantidade do lançamento, na unidade do produto |
| Início da entrega | data de entrada do lançamento |
| Preço bruto ao produtor, CIF indústria, por grama | valor unitário do item |
| Prazo de pagamento | condição de pagamento do lançamento |
| Local e data | cidade da filial e data de emissão |
E as cláusulas que já vêm no texto:
- o preço e as quantidades são totalizados semanalmente, pelo peso, pela renda e com o desconto de impurezas e das obrigações tributárias;
- o pagamento é feito por depósito na conta do vendedor ou diretamente a ele;
- a raiz é entregue CIF, no pátio da indústria, acompanhada da nota fiscal de produtor rural;
- a colheita e o transporte são responsabilidade do vendedor;
- o vendedor declara que não usa mão de obra infantil e que cumpre a legislação trabalhista, e o descumprimento rescinde o contrato na hora;
- o pedido pode ser cancelado por qualquer uma das partes.
O fim do documento traz as linhas de assinatura do vendedor e do comprador, com nome e CPF ou CNPJ de cada um.

O modelo pronto preenchido pelo sistema. Empresa, produtor, propriedade e valores são fictícios. Baixe este exemplo em PDF.
O contrato segue a regra da sua indústria
O modelo pronto é um ponto de partida, não uma regra. Cada indústria compra raiz do seu jeito: uma paga por tonelada, outra pela renda; uma busca a raiz na roça, outra só recebe no pátio; uma fecha o acerto semanal, outra por carga. O contrato pode ser personalizado conforme a regra de cada empresa: as cláusulas, os campos que saem do sistema e o próprio texto, com o que o seu jurídico aprovar.
E como o formulário é da transação, nada impede ter mais de um modelo — por exemplo, um para a compra CIF e outro para quando a indústria arranca e transporta.
Configurado uma vez, cada contrato novo é só um lançamento novo.
O produtor assina pelo celular
Produtor de mandioca raramente tem certificado digital e quase nunca tem impressora na roça. Não precisa de nenhum dos dois.
Do próprio lançamento, o formulário do contrato vai para assinatura eletrônica:
- O sistema sugere quem assina, a partir do cadastro do produtor e dos contatos dele.
- O link sai pelo WhatsApp da empresa, pelo número que o produtor já conhece.
- O produtor abre no celular e assina, de onde estiver.
- O PDF assinado volta e fica anexado ao lançamento do contrato.
Se quiser, o contrato pode sair já assinado pela empresa com o certificado digital A1 da filial antes de ir para o produtor. O documento passa a carregar as duas coisas: a assinatura da indústria, que prova origem e integridade, e a concordância do produtor. Explicamos a diferença entre as duas assinaturas e como o assinado volta sem ninguém imprimir.
Na arranca, o recebimento é pela nota de pesagem
Quando a arranca começa, cada caminhão com a mandioca daquela roça entra na balança e é recebido pela nota de pesagem: bruto, tara, embalagem, os quatro descontos, a renda e o peso a pagar. O preço por tonelada sai da renda, e a nota gera o documento de compra do produtor, com o FUNRURAL calculado.

A lista mostra o que está no pátio, o que já foi pesado e ainda vai gerar a compra, e o que já virou documento. A empresa, o CNPJ, os produtores e as placas desta tela foram substituídos por fictícios.

A nota de pesagem fica em Movimentações › Faturamento › Nota de Pesagem.
Se a roça é de parceria, o peso e o valor são divididos entre os produtores na proporção de cada um, e cada um recebe o seu documento.
Escrevemos sobre essas contas em detalhe: o cálculo da nota de pesagem item por item e o rateio entre parceiros.
Com o contrato e as compras lançados para o mesmo produtor, a conferência fica na consulta de lançamentos dele: o contrato assinado de um lado, as cargas recebidas do outro.
O que o sistema não faz
Vale dizer antes, para ninguém descobrir depois:
- A nota de pesagem não aponta para o contrato. O vínculo entre a carga e a roça contratada é o produtor; não há um campo que ligue a pesagem ao lançamento do contrato.
- As cargas não abatem sozinhas o saldo do contrato. A conferência entre o combinado e o recebido é feita consultando os lançamentos do produtor.
- O modelo pronto tem três espaços para preencher à mão: a variedade da mandioca, a área em alqueires e a entrega semanal em toneladas. Para o contrato ir assinado pelo celular já completo, esses dados precisam entrar na personalização do modelo.
- Não há tabela de preço por faixa de renda. O preço por tonelada sai da renda medida em cada carga, mas a tabela de faixas não é automática.
- A conta da plataforma de assinatura é sua, e a integração exige o plano com API dela, cobrado por quem presta o serviço.
- O artigo não é orientação jurídica. O que vale no contrato é o texto que o seu advogado aprovar.
Por onde começar
Pegue o próximo contrato de roça que vai ser fechado e faça por esse caminho: lançamento na transação do contrato, formulário, link pelo WhatsApp. Quando a primeira carga daquela roça chegar na balança, abra o cadastro do produtor e veja se o contrato está ali, assinado, sem ninguém precisar procurar.
Se estiver, os próximos já sabem o caminho.
Fala com a gente: (44) 99942-2829
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