Existe uma pergunta que costuma deixar a reunião comercial desconfortável: há quanto tempo o negócio mais antigo do funil está “em negociação”?
Se a resposta passa de duas semanas, o problema quase nunca é o vendedor. É a etapa.
O defeito das etapas que descrevem sentimento
“Em contato”. “Em negociação”. “Aquecendo”. São os nomes mais comuns em funil de vendas, e todos têm o mesmo defeito: não existe critério objetivo para entrar nem para sair.
Quando ninguém sabe dizer o que precisa acontecer para um cartão sair dali, a etapa vira depósito. Acumula tudo que o vendedor não quer declarar perdido, porque declarar perdido dói e deixar parado não custa nada. Ao fim de um trimestre, você tem um quadro colorido, cheio, e completamente inútil para decidir qualquer coisa.
A alternativa é simples de enunciar e difícil de aceitar: o nome da etapa deve descrever uma evidência.
- “Proposta enviada” é verificável. Tem data, tem arquivo, tem um e-mail ou uma mensagem que prova.
- “Em contato” não é. Contato de quando? Por qual canal? Terminou?
Quando a etapa é um fato, o cartão só anda quando o fato acontece. E o funil volta a significar alguma coisa.
Se você não consegue provar que um negócio está naquela etapa, ele não está. Está parado.
O funil padrão que usamos — e o porquê de cada etapa
Quando você instala o CRM do InfoKaw, o funil já nasce assim:
| Etapa | Probabilidade | O que precisa ter acontecido |
|---|---|---|
| Novo contato | 10% | Alguém chegou. Ainda não se sabe se serve. |
| Qualificado | 25% | Tem perfil, tem necessidade e tem como decidir. |
| Proposta enviada | 50% | A proposta saiu. Existe documento. |
| Negociação | 70% | O cliente respondeu à proposta e está discutindo condição. |
| Negociação aprovada | 90% | O cliente aceitou, mas falta fechar. |
| Ganho | 100% | Fechado. |
| Perdido | 0% | Era negócio, não deu. |
| Não Qualificado | 0% | Nunca chegou a ser negócio. |
Duas escolhas nessa lista merecem explicação, porque são as que mais mudam o número no fim do mês.
“Negociação aprovada” não é “Ganho”
O cliente disse sim. Ótimo — mas falta assinatura, falta o pagamento da entrada, falta o documento. Enquanto isso não acontece, ainda pode voltar atrás.
Times que colapsam essas duas etapas numa só passam o mês inteiro comemorando venda que ainda não existe, e descobrem no fechamento que 15% do “ganho” não virou nota. Separar as duas custa um clique a mais por negócio e devolve uma previsão em que dá para confiar.
“Não Qualificado” não é “Perdido”
Lead que não tem perfil — outra cidade, outro porte, produto que você não vende — nunca chegou a ser uma negociação. Jogar isso na mesma pilha de “Perdido” contamina duas coisas ao mesmo tempo:
- a taxa de conversão, que fica artificialmente baixa e não diz nada sobre a qualidade do seu time;
- a análise de motivos de perda, que passa a ser dominada por “não era cliente” em vez de mostrar onde você realmente perde para o concorrente.
São dois encerramentos diferentes porque ensinam coisas diferentes. Um fala da sua geração de demanda. O outro fala do seu processo de vendas.
Probabilidade: o que transforma quadro em previsão
Repare que cada etapa da tabela tem um percentual. Não é enfeite.
Com probabilidade por etapa, a soma do funil deixa de ser “tenho R$ 400 mil em aberto” — um número que nunca se realiza — e vira previsão ponderada: cada negócio entra pelo valor multiplicado pela chance real da etapa em que está.
Um funil com R$ 400 mil espalhados assim:
- R$ 200 mil em “Novo contato” (10%) → R$ 20 mil
- R$ 120 mil em “Proposta enviada” (50%) → R$ 60 mil
- R$ 80 mil em “Negociação aprovada” (90%) → R$ 72 mil
…não prevê R$ 400 mil. Prevê R$ 152 mil. E essa é a conta que serve para planejar compra, contratação e caixa.
O detalhe importante: a probabilidade só faz sentido se as etapas forem verificáveis. Percentual em cima de “em contato” é chute com casa decimal.
Quando a etapa está certa mas o cartão não anda
Etapa boa resolve metade do problema. A outra metade é o tempo.
Um negócio pode estar corretamente em “Proposta enviada” e ainda assim estar morrendo, simplesmente porque ninguém voltou nele há dez dias. Por isso o funil do InfoKaw tem alerta por tempo parado: você define quantas horas de silêncio deixam o cartão em atenção e quantas o deixam em estado crítico.
O quadro passa a responder uma pergunta que nenhuma listagem responde: o que está parado agora e precisa de mim hoje?
E cada etapa pode ter o seu próprio prazo. “Proposta enviada” costuma aceitar mais dias de espera do que “Negociação aprovada”, onde silêncio é sinal ruim.
Como arrumar o seu funil sem parar o comercial
Se o seu funil hoje tem etapas de sentimento, não precisa refazer tudo de uma vez:
- Liste as etapas atuais e escreva, ao lado de cada uma, o fato que prova que o negócio está ali. As que você não conseguir completar são as que precisam mudar.
- Renomeie para o fato, não para a intenção. “Em negociação” vira “Proposta enviada” ou “Negociação”, conforme o que realmente aconteceu.
- Separe o aceite do fechamento. Uma etapa a mais antes do ganho.
- Crie o encerramento para lead sem perfil, separado de perdido.
- Atribua probabilidade a cada etapa — e não tenha pudor de usar números baixos no começo do funil.
- Faça a faxina uma vez. Todo cartão parado há mais de 60 dias entra numa revisão: anda ou encerra, com motivo.
O passo 6 é o que dói, e é o que devolve o funil. Depois dele, o quadro passa a mostrar o comercial de verdade — que costuma ser menor e muito mais gerenciável do que o quadro antigo sugeria.
O funil é um instrumento, não um relatório
A diferença entre um CRM que a equipe usa e um que a equipe preenche está quase toda aqui. Quando a etapa descreve um fato, mover o cartão é natural: aconteceu, move. Quando a etapa descreve um sentimento, mover vira julgamento — e todo julgamento acaba adiado.
Se você quiser ver como o funil do InfoKaw se comporta com os seus próprios negócios, a gente monta junto na demonstração. Leva menos tempo do que a reunião em que você tenta adivinhar o que vai fechar no mês.

