Durante anos, emitir nota de serviço foi um trabalho diferente em cada cidade. Cada prefeitura tinha o seu sistema, o seu login, o seu layout e as suas regras. Quem atendia clientes em mais de um município aprendia mais de um emissor.

Com o padrão nacional da NFS-e, isso muda. A nota de serviço passa a ter um modelo único, montado a partir de uma declaração padronizada (a DPS) e validado num ambiente nacional. É a mesma lógica que a NF-e de produto já segue há muitos anos.

O que muda com o padrão nacional

Três mudanças importam para quem emite nota de serviço:

  1. Um layout só. Os campos da nota passam a ser os mesmos em todo o país, com código de tributação nacional, alíquota e retenções no mesmo lugar.
  2. Um ambiente só. A nota é validada e guardada no Ambiente de Dados Nacional (ADN), e o DANFSe passa a ser o documento de consulta da nota.
  3. A reforma tributária entra pela nota. Os campos de IBS e CBS também fazem parte do layout nacional da NFS-e.

A Lei Complementar 214/2025 fixou 1º de janeiro de 2026 como prazo para os municípios adotarem o padrão nacional. Para as empresas do Simples Nacional, a obrigatoriedade da emissão no padrão nacional foi definida por resolução do Comitê Gestor do Simples, com data no segundo semestre de 2026. Confirme com a sua contabilidade a data que vale para o seu caso.

O primeiro passo: o seu município já aderiu?

Aqui está o ponto que mais confunde. Aderir ao convênio não é a mesma coisa que emitir pelo emissor nacional. Existem três situações:

  • Município habilitado no emissor nacional: a nota sai pelo ambiente nacional, direto do seu sistema.
  • Município no ambiente nacional, mas com emissor próprio: a prefeitura envia as notas ao ambiente nacional, mas a emissão continua no sistema dela.
  • Município que ainda não aderiu: a nota continua sendo emitida no sistema da prefeitura.

A adesão muda com o tempo, por isso vale consultar de novo de vez em quando.

Antes de configurar qualquer coisa, descubra em qual das três situações o seu município está.

No Infokaw, o serviço continua sendo uma venda

A decisão mais importante que tomamos foi não criar uma tela separada para serviço. Vender um serviço é um lançamento como qualquer outro: cliente, itens, valores e forma de pagamento. O que muda é para onde a nota vai na hora de autorizar.

  • Produto vai como NF-e ou NFC-e.
  • Serviço vai como NFS-e.

Quem decide isso é a série escolhida pela transação. Uma série de modelo “99 - NFS-e” faz o lançamento ser autorizado como nota de serviço. A tela se ajusta sozinha: some o que é só de mercadoria, como transporte e volumes, e aparece o botão NFS-e Autorizar.

Para a sua equipe, isso significa não aprender um sistema novo. Quem já lança venda já sabe lançar serviço.

O que se configura uma única vez

A configuração é feita uma vez, nesta ordem:

  1. Certificado digital A1 da empresa, o mesmo usado na NF-e.
  2. Cadastro da empresa, no bloco NFS-e: o botão Consultar convênio mostra na hora se o seu município está habilitado no emissor nacional. Ali também ficam o regime especial de tributação e a numeração da DPS, para quem está migrando de outro emissor.
  3. Série com modelo 99 - NFS-e.
  4. Alíquota de ISSQN, com exigibilidade e retenção.
  5. Produto do tipo Serviço, com o código de tributação nacional e o código NBS.
  6. Transação de serviço, apontando para a série 99.

Depois disso, o dia a dia é um lançamento normal: escolha a transação de serviço, inclua os itens e clique em NFS-e Autorizar. Pelo mesmo lançamento você imprime o DANFSe, consulta, envia por e-mail e cancela a nota.

Dois cuidados que evitam rejeição

  • Cadastre o código de tributação nacional em todo serviço. Sem ele a nota não tem como dizer qual serviço foi prestado, e o ambiente nacional recusa.
  • Preencha o NBS se você vai informar IBS e CBS. O código NBS é o que identifica o serviço para os tributos novos da reforma.

Comece pela consulta do convênio

Se a sua empresa presta serviço, o primeiro passo não é trocar de sistema: é saber em qual situação o seu município está. Daí em diante, a nota de serviço vira só mais uma forma de autorizar a venda que você já lança.

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