Tem uma combinação que aparece em quase toda empresa: a equipe passou o mês ocupada e a meta não veio. As duas coisas convivem bem, porque volume de atividade e resultado são medidas diferentes.

A razão de isso passar despercebido é simples. A maioria acompanha dois números — quanto entrou no funil e quanto fechou — e os dois chegam tarde demais para mudar qualquer coisa. Quando você descobre que fechou pouco, o mês acabou.

Abaixo estão os dez que usamos no resumo do funil do InfoKaw, na ordem em que a venda acontece, com o que cada um revela quando está ruim.

1. Novos contatos

Quantas oportunidades nasceram no período.

É a base de tudo. Se cai, nada adiante melhora — não existe conversão que compense funil vazio.

Quando está ruim: o problema não é do comercial, é de geração de demanda. Cobrar mais esforço do vendedor num funil sem entrada é desgastar time por nada.

2. Tempo até a primeira resposta

Do primeiro contato do cliente até a primeira resposta de uma pessoa.

É o indicador mais subestimado da lista. Em compra com urgência — e autopeças, material de construção e serviço técnico são quase sempre urgência — quem responde primeiro costuma levar a venda, mesmo sendo mais caro.

Dois cuidados que fazem diferença:

  • Mensagem automática não conta como resposta. Se contasse, bastava configurar um “olá, já vamos te atender” para o número ficar excelente enquanto o cliente continua esperando.
  • A contagem começa antes do cartão. O cliente escreve primeiro; o cartão no funil nasce depois. Se o relógio só começasse no cartão, você mediria a própria organização, não a espera do cliente.

Quando está ruim: geralmente não é preguiça — é ninguém saber de quem é a vez de responder.

3. Qualificação

Quantos contatos passaram de “chegou” para “tem perfil, tem necessidade, tem como decidir”.

Comparado com o item 1, dá a qualidade da entrada.

Quando está ruim: muita entrada e pouca qualificação significa que você está atraindo a pessoa errada. É problema de canal e de anúncio, não de vendedor.

4. Propostas enviadas

Quantos negócios chegaram a ter proposta.

É o indicador de esforço efetivo. Ele separa “falei com o cliente” de “apresentei preço”.

Quando está ruim: muita qualificação e pouca proposta costuma ser gargalo operacional — demora para levantar preço, para conferir estoque, para montar orçamento. Vale cronometrar quanto tempo leva montar uma proposta na sua empresa. O número costuma assustar.

5. Retornos respondidos no prazo

Não basta responder rápido a primeira vez. A conversa continua, e cada vez que o cliente escreve e espera, existe um prazo.

Este indicador conta quantas dessas esperas foram atendidas dentro do limite que a empresa definiu.

Quando está ruim: é o vazamento mais silencioso do funil. O negócio não é perdido para o concorrente — ele apenas esfria até ninguém lembrar dele.

6. Entradas em negociação

Quantos avançaram de proposta para discussão de condição.

Mede aceitação da proposta.

Quando está ruim: proposta saindo e negociação não começando normalmente é preço fora de mercado ou proposta que não respondeu o que o cliente perguntou.

7. Ganhas

Quantas viraram venda no período.

O número que todo mundo já olha. Vale sozinho muito menos do que parece — só ganha significado ao lado dos outros nove.

8. Perdidas, e por qual motivo

Perda sem motivo registrado é informação jogada fora.

Com motivo, o padrão aparece: preço, prazo de entrega, concorrente específico, cliente desistiu, sem estoque.

Quando está ruim: o valor não está no total de perdas, e sim na distribuição. Perder por preço e perder por prazo pedem decisões opostas — uma é conversa de margem, a outra é conversa de logística.

E cuidado com a categoria “não era cliente”: ela não é perda de venda, é ruído de geração de demanda. Por isso, no InfoKaw, lead sem perfil é encerrado como Não Qualificado, separado de Perdido. Misturar os dois faz a sua conversão parecer pior do que é e esconde o motivo real das perdas.

9. Conversão

Das que fecharam no período — ganhas mais perdidas — quantas foram venda.

Repare que o denominador não é o funil inteiro. Incluir negócio ainda em aberto na conta de conversão produz um número que só piora conforme o funil cresce, o que não faz sentido nenhum.

Quando está ruim: com boa qualificação e conversão baixa, o problema está no meio do processo — proposta, prazo, condição comercial.

10. O que está parado agora

Os nove anteriores explicam o passado. Este é o único em que você pode agir hoje.

É a lista de negócios abertos sem movimento há mais tempo do que deveria, com os mais críticos primeiro. O que transforma um quadro bonito em ferramenta de trabalho.

No InfoKaw, cada funil define quantas horas de silêncio colocam o cartão em atenção e quantas o deixam em estado crítico — e cada etapa pode ter o seu próprio prazo, porque silêncio em “Negociação aprovada” é muito mais grave do que em “Novo contato”.

Quando está ruim: se a lista de parados cresce mês a mês, a equipe está abrindo mais negócios do que consegue conduzir. Mais leads não vão resolver.

Uma rotina de 20 minutos por semana

Dez indicadores só funcionam se forem vistos com regularidade. O ritual mínimo, sempre no mesmo dia:

  1. Olhe os parados e distribua: quem fala com quem hoje.
  2. Compare novos contatos e qualificação com a semana anterior. Caiu algum dos dois?
  3. Veja tempo de primeira resposta. Piorou? Por quê?
  4. Leia os motivos de perda da semana. Apareceu um motivo novo?

Nada disso exige reunião longa. Exige constância — que, como quase tudo em gestão comercial, é a parte difícil.

O filtro que muda a conversa

Um detalhe do resumo do InfoKaw que vale mencionar: ele respeita o filtro de responsável do quadro. Com “meus cartões” ligado, o próprio vendedor vê o desempenho dele — o tempo de resposta dele, a conversão dele, os parados dele.

Isso muda a natureza do indicador. Deixa de ser instrumento de cobrança do gestor e vira ferramenta de trabalho de quem vende. Na prática, é a diferença entre um número que a equipe teme e um que a equipe usa.

Quer ver esses dez calculados com o funil da sua empresa? A gente monta junto na demonstração.