A reforma tributária trouxe uma família nova de rejeições para a NF-e e a NFC-e, todas com código acima de 1000. São mais de duzentas regras, e a lista completa assusta.

Na prática, o que chega ao suporte se repete. Quase tudo cai em um de três grupos: classificação que não combina, grupo de valores no lugar errado e conta que não fecha. Abaixo estão as que mais aparecem.

As descrições podem variar conforme a versão da nota técnica e a SEFAZ autorizadora. Use os códigos como guia e leia sempre a mensagem completa que o emissor devolveu.

1024 e 1025 — Classificação que não combina

O que a SEFAZ está dizendo: na 1024, a classificação tributária (cClassTrib) informada não é compatível com o CST do IBS/CBS daquele item. Na 1025, o CST ou a classificação não são permitidos para o modelo de documento que você está emitindo.

Por que acontece: a cClassTrib tem seis dígitos e os três primeiros são o próprio CST. Quando alguém troca o CST do produto e esquece a classificação, ou copia a classificação de outro produto, os dois deixam de combinar. A 1025 costuma aparecer quando uma classificação usada na NF-e é levada para a NFC-e sem conferir.

O que fazer: corrija no cadastro do produto ou da operação, não na nota. Confirme o par CST e cClassTrib com a contabilidade e, se você emite NF-e e NFC-e, confira se a classificação vale para os dois modelos.

1021 — Grupo de IBS/CBS informado indevidamente

O que a SEFAZ está dizendo: o item trouxe o grupo de valores do IBS e da CBS, mas o CST informado não admite esse grupo.

Por que acontece: alguns CSTs, como os de isenção, imunidade e operação não onerosa, levam só o CST e a classificação. O erro aparece em sistema que preenche o grupo em todos os itens “por garantia”, com valores zerados.

O que fazer: o grupo precisa sair do XML nesses itens. Se o seu emissor não faz isso sozinho a partir do CST, é correção de software: fale com o fornecedor.

1026 — Alíquota do IBS da UF inválida

O que a SEFAZ está dizendo: a alíquota estadual do IBS não é a esperada para o período.

Por que acontece: em 2026 a alíquota de teste do IBS é fixa em 0,1%. Alíquota zerada, 0,2% ou qualquer outro valor é recusado. É a rejeição clássica de quem mandou o grupo com alíquota zero, seja por tabela não cadastrada, seja por enviar o grupo num CST que não deveria levá-lo.

O que fazer: primeiro confirme se aquele item deveria mesmo levar o grupo de valores. Se sim, a alíquota precisa ser a do período. Se não, o problema é o da 1021: o grupo não deveria estar lá.

1037 — Tributação regular no lugar errado

O que a SEFAZ está dizendo: o grupo de tributação regular foi informado, ou deixou de ser, em desacordo com o que a classificação daquele item pede.

Por que acontece: algumas classificações, como as de diferimento e suspensão, exigem que a nota mostre também como o item seria tributado na regra normal. Outras não admitem esse grupo.

O que fazer: confirme com a contabilidade se a classificação usada pede esse grupo. É um caso menos comum, típico de operação com tratamento diferenciado, e merece ser testado em homologação antes de valer.

1041, 1063 e 1079 — Valor ou alíquota que não confere

O que a SEFAZ está dizendo: o valor do IBS (1041) ou a alíquota e a redução da CBS (1063 e 1079) não conferem com o cálculo que a SEFAZ refaz a partir da base e da classificação.

Por que acontece: base de cálculo montada sem considerar desconto, frete ou despesa; redução de alíquota prevista na classificação e não aplicada; ou arredondamento diferente do esperado.

O que fazer: confira a base de cálculo do item e se a classificação escolhida prevê redução. Se o erro for sistemático, em todas as notas, é regra de cálculo do sistema, e não cadastro.

1076 — Total que não bate com os itens

O que a SEFAZ está dizendo: o total da base de cálculo do IBS e da CBS informado no fim da nota é diferente da soma das bases dos itens.

Por que acontece: arredondamento. Nota com muitos itens, desconto rateado ou frete distribuído, em que o total foi calculado à parte em vez de somado.

O que fazer: o total precisa ser a soma dos itens já arredondados. Se acontece só em nota com desconto no total, a causa é o rateio do desconto.

1115 — Grupo IBSCBS não informado

O que a SEFAZ está dizendo: a nota deveria trazer as informações de IBS e CBS e não trouxe.

Por que merece atenção: esta regra estava prevista para valer em produção em agosto de 2026 e foi adiada, sem data nova. Isso significa que a nota sem IBS e CBS pode ser autorizada hoje. Não significa que ela está certa: para empresas do regime normal, a obrigação de informar vale para fatos geradores desde 3 de agosto de 2026, e o que foi autorizado fica guardado para cruzamento depois.

O que fazer: não use o adiamento como prazo. Quando a regra entrar em produção, quem deixou para depois descobre o problema com o caminhão carregado.

225 — Falha no schema, de novo

A velha rejeição de schema voltou a aparecer com a reforma. O motivo agora é outro: emissor em versão antiga, que monta o XML sem os campos novos ou com eles fora de ordem. Se a 225 começou depois de uma mudança de layout, confirme com o fornecedor se a versão do emissor acompanha a nota técnica vigente.

O padrão por trás de quase tudo

Reveja a lista. Tirando o que é regra de cálculo do sistema, o resto nasce no cadastro: CST e classificação que não combinam, classificação usada no documento errado, produto sem classificação nenhuma.

É o mesmo padrão das rejeições antigas, com um agravante: agora cada produto tem uma informação a mais para estar errada.

O que resolve:

  • classificar os produtos com a contabilidade, começando pelos que mais vendem;
  • gravar CST e cClassTrib juntos, nunca um sem o outro;
  • emitir em homologação com o seu mix real antes de emitir valendo;
  • manter o emissor atualizado com a nota técnica vigente.

No InfoKaw, a classificação do IBS e da CBS fica no cadastro, separada da regra de ICMS, e o XML é montado a partir do CST: o grupo de valores vai quando o CST pede e fica de fora quando não cabe. Para entender o que cada item precisa levar, veja IBS e CBS na NF-e: o que preencher em cada item.

Se a sua nota está voltando com um desses códigos, chame a gente no WhatsApp com o número da rejeição.